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31/05/2016 - DIAGNÓSTICO OPORTUNO DA ECONOMIA

Neste mês, que ora se finda, cumpre fazer o que seria o principal diagnóstico da economia. Por que se chegou ao atual momento crítico de ter-se afastado por 180 dias a presidente da República e ter-se colocado um presidente interino? A presidente afastado ficou no cargo 5 anos e 5 meses incompletos. Pretende-se aqui a recorrer a um diagnóstico-síntese, no qual há um descompasso entre as receitas da União que, em termos nominais, por exemplo, na última década cresceu a 9,8%, enquanto as despesas públicas a 12,6%, sendo a inflação média no período de 5,9%. O resultado crítico foi a ocorrência de déficit primário desde 2014, passando também negativo por 2015 e explodindo em 2016. É bem verdade que tal déficit vinha sendo escondido há 18 anos, na contabilidade nacional, ou elidido por elevação de tributos. Porém, os gastos da Previdência e de programas sociais tiveram o seu grau explosivo detonado na gestão da presidente Dilma, ficando insustentável a sua continuidade. No resumo da ...

30/05/2016 - MEDIDAS E NOTÍCIAS ECONÔMICAS DOS PRIMEIROS DIAS

O governo Temer tem pressa. Não vai poder gestar um plano econômico como seria o mais desejável. Não há meio termo para ele. Tem no curto horizonte de 180 dias, até início de novembro, ou, de horizonte longo, de 962 dias. Para marcar na história a virada na economia brasileira. Horas após a sua posse, dia 12 deste mês, assinou a medida provisória de um programa de parcerias em investimentos, para desburocratizar o processo de concessões. Veio o fim de semana, na segunda feira, dia 16, mudou o presidente do BNDES, colocando a economista Maria Sílvia Bastos Marques, experiente executiva, de onde pretende usar R$100 bilhões dos cerca de R$500 bilhões, emprestados do Tesouro e, em caixa do banco, visando abater da dívida pública. No dia 17, indicou o provável novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, que já foi diretor do Banco Central e é diretor do Banco Itaú. José Serra tomou posse no Ministério de Relações Exteriores, dizendo que irá realizar a política externa sem partid...

29/05/2016 - VIÉS DE ALTA PREVISTO COM CAUTELAS

As projeções de grandes equipes econômicas de que a retomada do crescimento poderá acontecer no ano que vem, tais como as do Bradesco, Itaú, Goldman Sachs, além de investidores internacionais, tal como Mark Mobius, possuem como pressupostos de que o governo interino de Michel Temer consiga aprovar as reformas no Congresso, a começar com a de controle e corte dos gastos, seguindo pela reforma da Previdência e de outras medidas de política econômica cogitadas, tal como a retração da taxa básica de juros, a partir de agosto, visto que a inflação tem dado sinais de queda da casa de 10% para a de 7% ao ano. No geral, analistas acreditam que os maiores erros cometidos no período Dilma 1 (2011-2014), quando os juros foram reduzidos abruptamente, em 2012, mas voltaram a serem corrigidos em 2013, desde então, assim como começaram a serem corrigidos no incipiente Dilma 2 (2015-2016) os preços administrativos que estavam distorcidos. Portanto, a inflação subiu muito em 2015, mas tem caído ...

28/05/2016 - ESTADOS MAIS ESTRANGULADOS

O sistema bicameral faz com que os projetos dos cidadãos ocorram na Câmara de Deputados e 9%os projetos dos Estados no Senado. Por oportuno, as unidades federativas estão remetendo seus orçamentos previstos para 2017, para compor a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Das 27 unidades, 22 já apresentaram, restando Pernambuco, Amazonas, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. As peças públicas demonstram 9 Estados e o Distrito Federal prevendo déficit em 2017. Provavelmente, a União não previra rombo no ano que vem. A situação dos Estados e de 5.565 municípios é muito grave. Não há perspectiva de aumento da arrecadação, os gastos são crescentes e a perspectiva de retomada não é imediata. As complicações estaduais são maiores do que as da União porque eles não podem lançar títulos públicos para arrecadar recursos. A União, sim. Portanto, muitos irão tomar empréstimos, vender ativos e usar de verbas dos depósitos judiciais. Sem dúvida, os investimentos públicos serão prejudicados. ...

27/05/2016 - DESEMPREGO AINDA AUMENTA NOS PRÓXIMOS MESES

As estimativas de muitos economistas são de que o desemprego no Brasil ainda crescerá mais alguns meses, muito embora acreditam que a economia nacional se recuperará no segundo semestre. A recessão deixou o cobertor curto de grana do governo federal e quase 3 milhões de cidadãos ficaram sem seguro desemprego neste ano, em menos de cinco meses. A situação vexatória por que passam mais de 11 milhões de brasileiros com carteira assinada. De acordo com o IBGE, 30,9% dos desocupados nas seis maiores regiões metropolitanas do País estavam fora do mercado de trabalho por mais de 6 meses. Trata-se do maior índice desde o mesmo mês de maio de 2006. O valor máximo do seguro desemprego é de R$1.542,24. O mínimo, R$880,00. O número de parcelas varia de 3 a 5 meses. Muitos estão dispostos a voltar a trabalhar por menor salário. As empresas em recuperação judicial procuram parcelar as verbas rescisórias em até 60 meses, em acordos judiciais. A situação não está prevista nas leis trabalhistas....

26/05/2016 - PRIORIDADES CERTAS E INCERTAS

O Plano Real é o divisor do Brasil pobre para um país emergente, isto porque estabilizou o sistema econômico, a partir de 1994. Antes o Brasil passara por uma colonização de exploração (1500-1922), por um império rural (1822-1889), por uma república oligarca (1889-1930), uma ditadura industrialista (1930-1945), uma república democrática (1946-1964), golpeada por uma ditadura militar (1964-1984), novamente a democracia (1985 até hoje), mas que somente tornou transparentes suas ações com o Plano Real (1994). Sob o ponto de vista econômico, a era FHC (1995-2002) aconteceu com um governo razoável, em meio a um cenário internacional desfavorável. Já a era de Lula (2003-2010) transcorreu como a de um bom governo, que manteve o tripé econômico de FHC e contou com um cenário externo muito favorável. A presidente Dilma (2011-2015) iniciou acertando, prosseguindo com os programas sociais de duas décadas, mas aprofundou as prioridades incertas da economia, tendo persistido em vários erros ...

25/05/2016 - CORRIGIR DISTORÇÕES DE GASTOS

Em cerca de pelo menos 18 anos os gastos públicos tem subido mais do que a inflação. O Ministério da Fazenda apresentou ontem que o gasto primário do governo federal se elevou 5,8% ao ano acima da inflação de 1997 a 2015, passando de 14% para 19% do PIB. Os tributos também subiram e, em 1999, o governo de FHC fixou o tripé da economia, através de superávit primário, câmbio flutuante e meta anual de inflação. O PIB de FHC cresceu à taxa média anual de 2,3%, de 1995 a 2002. O tripé foi mantido por Lula, que obteve uma taxa média anual de crescimento do PIB de 4%, de 2003 a 2010. Em cinco anos de gestão da presidente Dilma o tripé foi aniquilado. Em 2014, ela registrou R$30 bilhões de déficit primário. Em 2015, R$112 bilhões. Neste ano, que previu superávit de R$25 bilhões, já em março admitia que seria um déficit primário de R$96,7 bilhões. O déficit nominal é hoje de 10,5%. Isto é, as despesas crescem mais de 10% do que as receitas, em termos nominais. A inflação com ela sempre e...