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01/11/2015 - NEM SEMPRE VALE O QUE ESTÁ ESCRITO

Conforme o ditado latino verba volant, scripta manet; as palavras voam, os escritos permanecem. Em outros termos, só vale o que está escrito. Mas, nem isto vale no Brasil da mais alta autoridade da República, a presidente Dilma. Na campanha eleitoral de 2014, ela prometeu por escrito que não mudaria direitos trabalhistas e de que não provocaria a recessão; não cortaria verbas da educação, da saúde, de calamidades, do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas cortou por volta de 30%; dentre outras mentiras. A partir do dia 01-01-2015, cortou logo as citadas referências. É visível por todos. O próprio ex-presidente, há dois dias, em congresso do PT, disse para todos e foi gravado, que o PT prometeu na campanha e muito tem feito o contrário do que cumpriu. Isto não o redime, nem aos seus. Afinal, ele tem 55% de rejeição, a maior entre os pretensos candidatos, bem como a maior intenção dos eleitores, com 23% dos consultados, que votariam “com certeza” nele. As contradições, o...

31/10/2015 - EQUÍVOCOS DA POLÍTICA ECONÔMICA, SEGUNDO PMDB

A Nova República se iniciou em 1985, quando o PMDB tomou a dianteira de todos os partidos, hoje são 35 deles, assumindo com José Sarney a presidência da República, em eleição indireta, ele, que era vice, assumiu a direção com a morte de Tancredo Neves. Daquela época para cá, o PMDB se constituiu em um partido formador de alianças. Depois de Sarney não teve mais protagonismo, tornando-se partido de sustentação de todos os cinco governos subsequentes. Neste ano, declarou que terá candidato próprio às próximas eleições de 2018, tendo uma grande parcela querendo romper com a base aliada atual, dirigida pelo PT. Dessa forma, divulgou nesta semana, um diagnóstico, em versão preliminar, para orientar a reunião nacional do próximo dia 17 de novembro, cujo texto contou também com a participação do economista e ex-ministro Delfim Netto. O texto procura eximir o PMDB dos erros da política econômica do governo Dilma. Inicia-se, afirmando que o PT partiu de um “diagnóstico errado” da economi...

30/10/2015 - INÍCIO DA QUEDA DO ATUAL CICLO

Depois da estabilização da economia brasileira, a partir do Plano Real, em 1994, o Brasil iniciou uma fase de ciclo longo de crescimento baixo (1995-2002), por volta de 2% anuais, mas, depois com a era Lula (2003-2010), o País dobrou a taxa média de incremento do PIB, por volta de 4% anuais. Convém observar que, de 2003 a 2008, a taxa de crescimento foi de 4,2% ao ano. Porém, tendo começado na economia mundial, no final de 2008, a maior crise da economia capitalista depois de 1929, o Brasil ingressou em recessão somente em 2009, quando o PIB recuou 0,2%, recuperando-se rapidamente em 2010, crescendo 7,6%. Portanto, a era Lula cravou incremento médio anual do PIB de 4%. Para muitos conhecidos analistas econômicos, tais como Samuel Pessoa e Alexandre Schwartman, o início do atual ciclo em queda iniciou em 2009, quando as medidas anticíclicas foram, em resumo, no sentido de subsidiar empresários e estimular o crédito para os consumidores. As doses de subsídios e os gastos do govern...

29/10/2015 - PREJUDICADO AJUSTE FISCAL

O Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de ideologia diferente da equipe da presidente Dilma, em razão de ser um economista ortodoxo e eles economistas declaradamente heterodoxos (inclusive a presidente e grande grupo dentro do PT), foi contratado para realizar o ajuste fiscal, visando obter superávit primário em 2015. Depois de cerca de dez meses, após ter anunciado por duas vezes que faria superávit anual, informou ontem ao Congresso Nacional, que sua nova previsão é de encerrar as contas nacionais deste ano com o segundo e consecutivo déficit primário anual, após 18 anos de superávit primário histórico, no valor parcial agora apurado, de R$51,8 bilhões, o equivalente a 0,9% do PIB. Porém, referido rombo poderia ser ainda maior, visto que há um embate entre o Executivo e o Legislativo, cujos projetos restantes do ajuste fiscal não são colocados em pauta pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, denunciado por ferir a ética, ao mentir na CPI da Petrobras, ao tempo em que ele ameaç...

28/10/2015 - DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO

Há mais de 160 anos, o clássico economista alemão, Karl Marx, começou suas explicações sobre a formação do sistema capitalista, vindo a lume seus livros, destacando-se a coleção de seis tomos de “O Capital”. Nela, ele anuncia as leis gerais do capitalismo. Uma delas é a divisão internacional do trabalho. Ou seja, as desigualdades entre países se devem inicialmente à produção de maiores aos menores valores agregados aos bens e serviços. Em seguida, elas se elevam na esfera do comércio e na esfera financeira. Os países ricos produzem principalmente bens e serviços industriais, de alta tecnologia e que agregam mais valor. Os países pobres produzem bens primários, semimanufaturados e que são exportados, para terem crescimento vinculado aos países ricos. Os países emergentes produzem os dois tipos de bens, buscando ficar no primeiro grupo. Sabendo disto, o Brasil desde o governo de Getúlio Vargas, de 1930, iria criar uma série de mecanismos para a expansão industrial brasileira, muit...

27/10/2015 - COLHENDO O QUE SE PLANTOU

A partir de 2009, como defesa da recessão daquele ano, de – 0,2%, a equipe econômica dinamizou uma série de programas, baseados na expansão principalmente do consumo. Houve de quase tudo, desde crédito subsidiado, isenções de impostos, proteção contra concorrência de importados e empréstimos do Tesouro Nacional aos bancos públicos, como BNDES e a Caixa Econômica Federal, que cresceram de R$14 bilhões em 2007, para R$511 bilhões até 2014. Outros programas sociais, como o Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e o Minha Casa Melhor, impulsionaram a construção civil e o varejo. Em 2010, o País cresceu 7,6%. De 2011 a 2014, o crescimento mingou e País ingressou em estagnação. Nesse primeiro mandato da presidente Dilma, a expansão baseada principalmente no consumo e no crédito demonstraram sinais de esgotamento. Mesmo assim, as reformas estruturais não foram feitas e a carga tributária bateu 36% do PIB. Os capitalistas recuaram em seus investimentos. A arrecadação, em consequência, nã...

26/10/2015 - DÉFICIT FISCAL TURBINADO

A diferença entre a arrecadação e despesas públicas pode ser superávit ou déficit primário. Depois de 18 anos, em 2014, a União apresentou déficit primário de 0,63% do PIB, R$32,5 bilhões. A grande recessão do País, patrocinada pelo ajuste fiscal, fez o governo enviar ao Congresso um orçamento com déficit de R$30,5 bilhões em 2016. Para obedecer ao TCU, a União tem que pagar aos bancos públicos R$40 bilhões, mais R$10 bilhões de frustração de receitas. O rombo deste ano poderá ser de R$50 bilhões. O fato é que o governo vinha escondendo o déficit fiscal e agora se viu obrigado a mostrá-lo. Sem ter conseguido colocar em ordem as finanças, o Brasil continuará mergulhado na incerteza. A inflação continuará elevada. Os investidores continuam se retraindo, o desemprego se elevando e os consumidores postergando o consumo. Até agora o ajuste fiscal está sendo insuficiente. Os cortes de despesas administrativas foram de R$12 bilhões, em hospedagem, passagens aéreas, serviços de manutenç...